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um simples hematoma...
A grande questão da humanidade passa longe da razão de estarmos neste mundo, da existência de vida após a morte ou da descoberta de alienígenas povoando outros cantos do universo. Tampouco tem a ver com a pesquisa de uma teoria unificada da física, fenômenos paranormais, tsunami asiático ou gripe dos carrapatos. Não tem relação aparente com o brilho da aurora boreal, com o gol de mão do Maradona, com o sorriso da Madonna (do Da Vinci), com os últimos quartetos que Beethoven escreveu surdo ou, ainda, com o fato de a bateria da Mangueira não usar surdo de segunda.

O que me faz perder mesmo o sono são as manchas roxas que aparecem na perna da menina sem nenhuma explicação.
Por que as manchas roxas? Como chagas, surgem misteriosas pelo seu corpo, marcando meu território, maculando sua tez dulçorosa, de Dulcinéia arrebatada. E não só pelo corpo da minha, ela, mulher própria: as manchas estão em todas as mulheres do planeta. Senhoras apaixonadas, vestindo anáguas; adolescentes de estranhos humores, irritadas; crianças impúberes, de galochas e histórias (da carochinha); leitoras boazudas, cabrochas bronzeadas, de euforia que não cabe dentro dos peitos – a todas acometem as mesmas nódoas. Roxas e nas coxas, principalmente, mas também nos: braços, bunda, panturrilha e outras partes. E volto a perguntar, sem mais enrolação: por que as manchas roxas? De onde vêm?
Quando a menina chega em casa do trabalho, emancipadíssima, ou acorda aos muxoxos, fazendo malcriação, ou volta de viagem cheia de sacolas, ou sai do mar molhada de sal, nunca sabe o porquê das manchas. E, se souber, não diz. Perguntar é perda de tempo. E ficamos assim, os homens, asnos empolados, mais uma vez perdidos na escuridão da nossa ignorância infinita sobre tudo que nos é estranho, ainda que familiar, e sobre o que nos é mais alheio, ainda que tão arraigado dentro de nós: a mulher, esse singular objeto.
Seriam as manchas roxas marcas de amantes descuidados e secretos? Escapadelas pelas tardes vazias, amassos nas esquinas, escadas dos prédios e por trás de cada árvore no caminho de casa? Seriam as manchas lembranças de outros toques? Agouros dos próximos? Seriam elas memórias do seu corpo? Fantasmas te bolinando durante a noite? Eu te encoxando durante o dia?
Ou seriam trombadas e joelhaços involuntários em: cadeiras, mesas, sofás, armários, escrivaninhas, bancos, automóveis, árvores, cachorros, portas, geladeiras, grades, janelas, pedras, crianças, pias, caixas, postes e tudo o mais que puder estar a sua frente? Seriam as manchas provas roxas e materiais da sua peleja diária com o mundo e tudo que o compõe? Evidências da fragilidade do manto delicado que cobre seu corpo, em contraste com sua enorme força para o resto (incluindo gripes, cicatrizes, partos e filas de supermercado)?
Para nenhuma dessas perguntas tenho a resposta. Mas sei que vou morrer tentando descobrir.
João Paulo Cuenca, 26 anos, colunista da tpm e é autor de Corpo Presente. Seu e-mail: cuenca@trip.com.br
Escrito por karam às 21h45
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GEORGIA O´KEEFFE
Nestas obras estão representada a arte desta pintora norte-americana conhecida por retratar a feminilidade através das flores. O quê você está vendo? 
Escrito por karam às 21h14
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REVISTA SER MEDICO N29
A Teoria do Caos e a Medicina
Moacir Fernandes de Godoy*
O procedimento analítico trouxe enormes contribuições ao conhecimento científico atual. Porém, o problema da abordagem clássica mecanicista é considerar uma determinada entidade como simples somatória de suas partes individuais. Além disso, a aplicação desses princípios clássicos depende da aceitação de que não haja interação entre as partes, ou que ela seja tão fraca a ponto de ser negligenciada.
Depende também de que as relações que descrevem o comportamento das partes sejam lineares, com aproximações e correções numéricas para explicar as discrepâncias. Essas condições quase nunca são satisfeitas nas entidades chamadas sistemas, compostas de partes em interação. Assim, a maioria dos sistemas apresenta comportamento não-linear. Isso tudo sinaliza que o organismo humano, ao funcionar como um sistema, tenha comportamento não-linear.
Os sistemas complexos não-lineares obedecem ao que se convencionou chamar Teoria do Caos, a qual estuda o comportamento dos sistemas que, apesar de serem aparentemente aleatórios, apresentam uma ordem oculta que os torna potencialmente previsíveis. O termo caos não deve ser entendido no seu sentido popular, com conotação negativa de confusão, desordem, desorganização, desarrumação, balbúrdia, escuridão, trevas, entre outros, conforme consta na definição vernácula. Mas sim no seu sentido filosófico-científico moderno, como interação entre ordem e desordem, entre desintegração e organização, que segue permanentemente numa espiral evolutiva, mas sob a vigilância implacável da entropia.
Considera-se que nos sistemas complexos haja apenas uma quantidade desprezível de aleatoriedade. Assim, o comportamento desses sistemas é considerado determinístico. Além disso, um aspecto fundamental é a sensível dependência das condições iniciais pelas quais as mínimas diferenças, no início de um processo, podem levar a situações completamente opostas ao longo do tempo, o que é conhecido como Efeito Borboleta.
A Medicina, por lidar com a interação de grande quantidade de fatores, deveria ser focalizada sob o aspecto da não-linearidade sendo esta uma de suas principais características.
As doenças ou os mecanismos fisiopatológicos em geral comportam-se como parte de um sistema complexo dinâmico não-linear determinístico, comandados pela Teoria do Caos. Até o momento, os que se ocupam da Medicina concentram-se preferencialmente em uma abordagem linear, na qual os fenômenos quase sempre são tratados de forma estática e os efeitos são diretamente proporcionais à causa, pouco valorizando o comportamento dinâmico e não-linear. Mas, nas situações clínicas, há uma assombrosa variabilidade nas condições finais com sensível dependência da condição inicial. Assim, as pequenas disfunções em órgãos isolados levam, paulatinamente, a certos graus de disfunção à distância, que vão se associando e, de acordo com as variáveis dependentes ou não de cada indivíduo, culminam, às vezes, em situações catastróficas como a morte.
Na vivência médica diária observa-se com freqüência que pacientes com mesmos fatores de risco, em condições ambientais similares e com hábitos parecidos evoluem com manifestações clínicas de comportamento totalmente diverso e com respostas terapêuticas dispares. Obviamente, o comportamento de massa é razoavelmente uniforme, mas em termos individuais as diferenças se tornam marcantes. Como do ponto de vista clínico é com o indivíduo que devemos nos preocupar, torna-se clara a necessidade de maior entendimento da questão.
No organismo humano já foram detectados vários componentes com padrão caótico, todos eles relacionados com o estado fisiológico, enquanto que as doenças se associam com o comportamento linear ou então aleatório, criando-se com isso a implicação de que os conceitos relacionados à Teoria do Caos podem ser estendidos aos binômios saúde-doença em “senso estrito” e a vida-morte, em “senso lato”. Nesse sentido, o caos teria conotação positiva refletindo a situação de Saúde, ou seja, o organismo preparado para responder favoravelmente às agressões do meio, dispondo para tanto de toda sua potencialidade. Uma vez perdida a situação de caos, a alteração progressiva da fisiologia levaria aos estados de doença pela da entropia, até a ocorrência do equilíbrio e conseqüentemente a morte.
A aceitação e aplicação desses conceitos na Medicina permitem prever algumas implicações futuras. Novas linhas de pesquisa altamente produtivas deverão ser desenvolvidas procurando extrair desse terreno, ainda pouco explorado, conhecimentos que venham auxiliar no entendimento do organismo humano em toda sua complexidade.
Como corolário, as habilidades no terreno da matemática, o conhecimento do comportamento dos sistemas dinâmicos e das funções não-lineares e a aplicação de técnicas no domínio do caos, entre outras, deverão ser estimuladas em vista da necessidade de entender mais completamente a fisiologia dos sistemas orgânicos.
Do ponto de vista clínico, em face da ação da dinâmica não-linear, será imprudente atribuir uma causa específica a um determinado efeito sabendo que nos sistemas dinâmicos deterministicos não-lineares, as influências são sempre multifatoriais. Isso trará também implicações referentes aos métodos estatísticos utilizados, fazendo com que a análise multivariável ganhe preponderância nos trabalhos científicos.
É provável que no futuro as intervenções terapêuticas sejam dirigidas à redução das interações múltiplas não lineares esperando-se que apenas mínimas alterações muitas vezes já sejam suficientes para grandes resultados benéficos.
Medicamentos, dispositivos e equipamentos deverão sofrer um processo de reengenharia visando adaptá-los ao comportamento caótico. Drogas com absorção ou distribuição não-linear, permitindo concentrações variáveis ao invés de níveis fixos; respiradores ou aparelhos de marcapasso atendendo às leis do caos, entre outros, seriam algumas das conseqüências previsíveis.
A Medicina Baseada em Evidências deverá receber um redirecionamento com enfoque muito maior no indivíduo do que na população, reforçando a prática médica como arte e ciência.
Outras implicações certamente surgirão. Espero que este ensaio contribua para uma mudança de conceitos, quando a caoplexidade, neologismo criado por John Horgan em “O fim da ciência”, virá a ser o novo paradigma do pensamento científico.
* Moacir Fernandes de Godoy é médico cardiologista e professor adjunto na Faculdade de Medicina de S. José do Rio Preto (Fanerp), com Tese de Livre Docência sobre o tema "A Teoria do Caos Aplicada à Medicina"
Escrito por karam às 12h19
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NÃO À POLITICAGEM.
   
Diante do reality show da corrupção em Brasília fica difícil alguém, pacientemente, escutar um discurso nas emissoras abertas do governo. Com tantas denúncias e depoimentos mentirosos quem vai acreditar nas palavras dos oradores nas tribunas do senado ou congresso? O desinteresse do jovem pela política convencional é claramente justificado. Mesmo sabendo da existência de suplicis, heloisaelenas, soninhas e gaberas, o tsunami da corrupção parece varrer nossas motivações partidárias. Somente um evento catastrófico desse porte pode limpar a imagem da política brasileira e resgatar o interesse dos mais jovens. Mesmo porque o Brasil precisa de uma nova geração de políticos (de preferência sem ser da família Magalhães). E foi justamente com o furacão Katrina que o Deputado Estadual de São Paulo pelo PC do B, Nivaldo Santana, arrebateu, pelo menos parcialmente, o asco sobre a vida pública. Conseguiu segurar por uns 30 minutos minha atenção em sua oratória na TV Câmara. Num lugar onde a maioria se mostra aristocrata, inicialmente foi seu terno menos pomposo que chamou a atenção. Mas foi com um discurso inteligente e articulado sobre a tragédia de Nova Orleans que o deputado entusiasmou. A análise da atuação do governo norte-americano em relação às vítimas do desastre destoou entre as manjadas falas dos deputados. As disputas entre partidos de governo e oposição deram lugar a uma voz contestadora e libertária. Responsabilizou os EUA pelas grandes mudanças climáticas do planeta justificado pela não adesão ao Tratado de Kioto e a grande emissão de poluentes da indústria americana na atmosfera. E não economizou críticas ao aparente preconceito racial mostrado na lenta ajuda aos sobreviventes do furacão. Talvez por ser negro, o deputado soube abordar a questão com propriedade e deixou bem claro o abismo social do país que se julga modelo de economia e de direitos humanos. Ao mesmo tempo em que é gasto bilhões de dólares em bases militares pelo mundo, milhares de negros e hispânicos sofrem pela falta de assistência no quintal sul do Tio Sam. Liberdade e direito na terra do “american way of life” só para os brancos e ricos. Discorrer sobre fatos e acontecimentos de âmbito global se torna necessário nesses momentos em que o imperialismo americano deixa cair a máscara e mostra sua face mais cruel. Desta vez dentro de sua fronteira. E assim com um tom nacionalista, o deputado Nivaldo Santana conseguiu expor ao plenário que política não se resume em debates mesquinhos pela briga do comando e do poder. Tomara os jovens reconhecerem esses no meio da multidão. Afinal o futuro da política depende disso.
Escrito por karam às 22h31
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ADÃO, coitado dos obstétras... rsrs.
Escrito por karam às 18h00
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COISAS SOBRE ELAS QUE ELES DEVERIAM SABER (parte 2)
Onde estávamos mesmo? Ah, sim, conversando com Maria Inês Pagano Gasperini, ginecologista de Florianópolis, conhecida pelos cuidados que vão além dos conhecimentos profissionais. Dá apoio moral e tem cabeça moderna. Vimos como as mulheres ainda hoje enfrentam preconceitos e crueldades. Outro dia, Inês recebeu uma casada, moça, que não quer amamentar senão fica “com peito caído”. Nada a ver: “Peito caído tem razões biológicas, genéticas”, diz Inês. E a senhora que passou quarenta anos sem orgasmo? Trauma da primeira noite com o marido: não sangrou e ele “atirou-lhe na cara” que não era mais virgem. Inês explicou que nem sempre sangra o hímen rompido. Mas toda uma vida sem sentir prazer sexual, que amargura irreparável. Lembro então o caso da jovem senhora que, aos 5 anos, saiu da piscina nuazinha e o cão da família lambeu-a “lá”. Ela riu, deliciada. Requinte do machismo: quem a denunciou foi a empregada, à mãe, que a denunciou ao marido. Que tirou o cinto e ordenou à mãe deitar a menina de bruços no sofá e surrá-la, “pra aprender”. E ficou assistindo, sentado na poltrona. A mãe surrou que surrou. Virou-se: “Chega?” E o pai: “Mais.” E mais, e mais, e mais. Lembremos que em alguns países o homem exige que se arranque o clitóris de toda menina, para que a futura mulher não sinta prazer, só o homem. E quem faz a mutilação é outra mulher. “Mas no Brasil ocidental civilizado/ Não extraímos uma unha sequer/ Porém na psique da mulher/ Destruímos a mulher”, canta Tom Zé em Proposta de Amor. Bem, a menina aprendeu: culpa por sentir prazer, dificuldades no relacionamento com homens. Contou-me que um dia, ao vê-la deprimida, a empregada disse: a senhora precisa é de carinho. Comento com Inês: nos Estados Unidos, a média de duração duma relação sexual é de apenas dez minutos. Ela sabe. Chama isto de “fast-foda”. Lembra-se da cliente que chegou macambúzia, queixando-se de dores “lá dentro” quando faz amor (amor?). Inês pergunta quanto tempo dura sua relação. “Uns cinco minutos”, diz a mulher. “Mas, desde o primeiro beijo?” “Que beijo?”, perguntou a mulher. Explica Inês que as primícias fazem com que, na vagina, se vá produzindo intumescimento que empurra o útero para cima. Se o parceiro é vapt-vupt, que acontece? O pênis bate no colo do útero, o que provoca a dor. Assim não dá. Na Alemanha, 7 milhões de homens broxam. Motivo: estresse. A pesquisa, do Instituto de Assessoria Sanitária, mostra que os homens, depois do fracasso sexual, levam até três horas para retomar a concentração no trabalho; a isto se somam as horas que as mulheres também perdem (mais que os homens!) por falta de orgasmo. Prejuízo equivalente a R$ 228 bilhões por ano, conclui a pesquisa. E não se fala dos prejuízos psíquicos, incalculáveis. Tradução: colegas de hospício do gênero masculino, mulher precisa de carinho. Acho que mais do que nós.
Escrito por karam às 17h15
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COISAS SOBRE ELAS QUE ELES DEVERIAM SABER (parte 1)
leiam essa!.. texto que fala sobre temas ligados ao sexo, crendices e psíquico da mulher... achei na revista Caros Amigos, assinada por mylton severiano ... a coluna chama Enfermaria... na seqüência solto a segunda parte.

Maria Inês Pagano Gasperini, quando mocinha, ouvia em Porto Alegre: “Cheiro de peixe, deixe. Cheiro de bacalhau, meta-lhe o pau.” Só entendeu quando, formada em medicina pela PUC gaúcha em 1976, passou a clinicar como ginecologista. Cheiro de bacalhau é o mesmo cheiro nosso, de homem. Até tem a anedota do Juquinha: “Hummm, mãe, que delícia esse bolinho de bacalhau!” “Vá lavar as mãos, seu porquinho, que esse bolinho é de arroz.” Cheiro de bacalhau: tudo bem com “as partes”. De peixe (na mulher): há algo errado e pode passar para o homem. Inês diz que o cheiro ela já sente quando a cliente chega à porta do consultório. Deve-se à bactéria Gardnerella vaginalis, ou haemophilus. Não dá muita secreção. Emite cheiro forte particularmente depois que o casal brinca, porque detém substância que combina com o esperma; e depois da menstruação. A mulher acostuma com o cheiro. Às vezes, o marido vem junto. Inês: “Tem corrimento?” A cliente: “Não.” E o marido: “Tem, sim.” Deve-se à repressão. Não podem mexer “lá”. Daí, não lavam direito “lá”. Mães à antiga, se a filhinha mexe “lá”, dizem: “Vou te cortar a mão.” “Não mexe aí, que cria bichinho.” (E é o contrário.) Por isso vem mais tarde para meninas que para meninos a masturbação. “Não faça isso que você perde a virgindade!” Assim, diz Inês, muita mulher só olha o genital se aparece coceira. Ela tem um espelhinho de aumento especial para a cliente dar um close no pixéu. Outro dia, uma se abespinhou: “Deus me livre ver essa coisa nojenta!” Está quase sempre associado a coisa feia, para a possuidora, aquilo que Voltaire chamou de “adorável ausência”. E hoje, espanta-se Inês, mulheres andam com nojo até dos pêlos. Depilam a ponto de arrancar pedaço de pele. Até rapazes Inês tem observado com essa ojeriza por pêlos. Eu, hem? Uma sexagenária, do interior, veio angustiada. A parteira declarou que ela “nasceu grelada”. Acontece, diz Inês, que muitas bebezinhas nascem com a coisinha inchada. Essa cliente carregou a pecha vida afora: “Lá vai a grelada.” “Não sei como consegui casar, e nunca permiti ao meu marido ver ela, sempre foi no escuro”, disse a mulher, que pediu a Inês para dizer se ela era “normal”. Ao ouvir da médica afamada que sim, chorou, e nossa amiga chorou junto por toda uma vida de angústia.
Escrito por karam às 23h20
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PAZ&AMOR - olhe atentamente este desenho e relaxe, relaxe...
por rafael sica
Escrito por karam às 21h38
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TIME IS LOVE
O pior problema de nossas vidas hoje é a falta de tempo. O ritmo que o cotidiano nos impõe não permite sobras. Tudo se resume em realização de projetos profissionais. Não há tempo para literatura recreativa – antes se podia fazer no banheiro, mas até para necessidades fisiológicas está difícil. Não há tempo para escrever – e quando se escreve é pra falar da falta de tempo. E o pior, falta tempo para o sexo – e quando não, é sem preliminares. Somando manhã, tarde e noite é pouco pra nossa correria. Mesmo com relacionamentos on line, um dia teria que ter 30 horas, igual o unibanco! Por isso temos que ter organização e disciplina para otimizar as horas e cada vez mais nos tornamos pessoas mecanizadas. Somos indivíduos com menos romantismo, e a arte em seu sentido mais humanista tende a desaparecer. Esse processo é claro e se inicia observando a vida das pessoas das grandes metrópoles como São Paulo.
Como exemplo cito uma discussão sobre a bioética envolvendo a questão da escolha do sexo dos bebês através da reprodução assistida. Primeiro que já é sabido da dificuldade dos casais em procriar devido à idade avançada com que desejam a paternidade e ao problema chave deste texto que é a falta de tempo. Depois, como bem disse João bastistiolle, prof de bioética e de introdução ao pensamento teológico da PUC-SP, “... o problema ético central reside no fato de que as técnicas de reprodução assistida podem favorecer uma reprodução despersonalizada, desumanizada, substituída por um tecnicismo que obscurece o contexto de significados da reprodução enquanto gesto final de um processo afetivo...”. Ou seja, se o homem continuar a evolir dessa maneira, em algum momento do futuro, o sexo e o amor que são características próprias do ser humano, serão descartados e substituídos por alternativas automatizadas devido ao tempo necessário a elas.
Em anexo um texto que fala de amor e o sentimento provocado por essa interação química entre dois seres humanos. É assinada por um ex-presidiário que, ao contrário de nós e outros presos, usou todo o tempo de cárcere para aflorar sentimentos nobres da nossa natureza.
"Tudo parece composto de paz. A vida dorme neste instante, sossegada e pura na madrugada. A noite vai alta, e as estrelinhas brilham lá em cima. Eu queria falar de amor. Acordei agora com o coração inteiramente desperto para amar. Acho que o amor é a mais profunda celebração do relacionamento humano. Expressa uma consciência de que não existimos plenamente sem o outro. No diálogo, que é a manifestação mais lúcida do amor, na acolhida, na busca do entendimento do outro, nos tornamos inteiros. O amor também é ter fé de que as outras pessoas são capazes da impossível lealdade, da irrealizável fidelidade. É acreditarmos que, em recebendo nosso amor, nossa confiança, a pessoa ultrapasse toda possibilidade, vença as fronteiras do comum e se constitua nossa esperança de verdade e felicidade. E temos fé porque em nós percebemos a realização desse milagre inteiramente humano de ser, quando apaixonados. Então amar é tentar o impossível para fazer todo o possível. O impossível está no tempo a se transformar em possível, e por que não agora? Essa tremenda emoção não pode ser esse pobre tumulto provisório que abala nossos sentidos, endurece ou molha nosso sexo, ou alguma ilusão do imaginário. Antes, é uma floração de nós que vive em permanente primavera. Em que toda a força de nosso corpo, a energia de nosso sexo e a coerência do nosso pensamento estão unidas no que forma nosso sentimento. Amar aquele que nos odeia e persegue é aceitar que ele, como nós, seja capaz de libertar-se do ódio, esse inimigo cruel. O amor confirma-se quando se prefere o outro a nós mesmos. Quando preferimos que o outro tenha todo o lucro que a relação possa trazer. Principalmente quando não temos a pretensão de responder a todas as necessidades e esperanças do ser que amamos. Nos julgamos onipotentes quando apaixonados e podemos perder a noção da realidade. É sempre um risco. Amar, em si, é um risco. Um confiar cego, um entregar absoluto e desarmado. Ficamos vulneráveis e fáceis, por isso as desilusões do amor doem tanto. Amamos quando queremos que o ser a quem devotamos nosso mais profundo sentimento seja primeiro fiel a si mesmo. Mesmo que isso signifique angústia e dor. Não somos capazes de ter amor se não formos capazes de conquistá-lo. Como um ramo de uma árvore, o que sentimos, o que nos move ao outro, não pode ser arrancado pela convivência. A claridade que nos submete o coração e que direciona nossa vida está no que sentimos. É sempre preciso exceder nesse tempo, tão longamente quanto sejamos capazes."
*Luiz Mendes, 50, há três anos escreve a TRIP. Mendes cumpriu a pena máxima prevista pela justiça brasileira, 30 anos, por assalto e homicídio, e hoje vive em São Paulo. Seu email é l.mendesjr@ig.com.br
Escrito por karam às 21h58
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cada um com sua tara...

Escrito por karam às 19h28
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Na virada deste ano senti um profundo sentimento misto de raiva e culpa. Raiva porque aquela imagem era bizarra e feia aos olhos, e culpa devido a minha condição de ser humano, incapaz de viver em simbiose com o meio ambiente - um parasita no planeta. Lembro-me da primeira vez que fui à praia da Guarda do Embaú... não faz muito tempo... uns dez anos. Fiquei maravilhado com a beleza do lugar, mas o que realmente me chamou a atenção foi o modo daquela gente interagir com a natureza. A maioria dos nativos eram surfistas pescadores , e habitavam casas simples, muitas de madeira, bem ao estilo sulino. Até aí, natural pensar que a natureza é o “trabalho” deles... mas não era só isso. Eles pregavam uma espécie de sermão ecológico. Ressaltavam a idéia de um modo de vida capaz de conciliar exploração de recursos, turismo, trabalho e lazer sem agressão ao ecossistema perfeito de lá. Isso me marcou muito: não era a primeira vez que tinha ido a um paraíso turístico, mas era a primeira vez que senti ser capaz de viver sem agredir o planeta. Tudo besteira. Ilusão de jovem sonhador... um otimista. Dez anos depois via-se casarões, internet, restaurantes, etc... e a imagem que fritou minha retina no amanhecer de 01/01/2005 foi deprimente... no mínimo caretiante. Todos queriam se divertir... e, depois de doces, balas e afins, tiveram uma bad trip, na manhã desse dia, ao olhar para a paisagem. O árduo trabalho dos garis, com o mutirão da limpeza, não ia mudar o que já era feito. Prejuízo ecológico que não se repara em 365 dias . A natureza fez sua parte com um luar poente no morro da pedra do urubu (aquela da música do Baya Rock Boys) seguido, poucas horas depois, de um sol nascente que dava mil tonalidades as águas do rio desembocando no mar. O resto era lixo. O lixo humano e o lixo do homem.
Escrito por karam às 17h46
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SIRVAM-SE!!!!!!
Em tempos de ditadura, Gerson Conrad, João Ricardo e Ney Matogrosso demonstraram que era possível fazer música original, associada ao teatro e a poesia....
O impacto causado pelo álbum Secos e Molhados já começava pela capa. A fotografia é do ex-repórter fotográfico do diário carioca Última Hora, Antônio Carlos Rodrigues.
Além do trio, o baterista e percussionista Marcelo Frias completa o banquete antológico.
Numa enquete promovida em 2001 pela Folha de São Paulo, a capa de Secos e Molhados foi considerada a melhor da música brasileira em todos os tempos, à frente de Todos os Olhos, de Tom Zé, Índia, de Gal Costa, Tropicália ou Panis et Circensis, de Gil, Caetano, Mutantes e companhia, Minas, de Milton Nascimento...
E como tudo que degustamos e apreciamos, vale a pena saborear sempre, já que o gosto é irresistível....
Escrito por maria virgínia nem tanto às 16h01
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PENSAMENTO ROCK

“Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos trinta anos. Não contaram pra nós que amor não é acionado, nem chega com hora marcada.
Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas responsabilidade de completar que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia é só mais agradável.
Fizeram agente acreditar numa fórmula chamada “dois em um”: duas pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que podemos ter uma relação saudável.
Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos. Fizeram a gente acreditar que bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são muito confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta que pé torto.
Fizeram a gente acreditar que existe só uma fórmula de ser feliz, a mesma pra todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que essa fórmula dá errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar alternativas.
Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo pra gente. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém.”
Escrito por karam às 22h39
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AOS PROFESSORES DONOS DO MUNDO
Vertendo de uma língua para outra o termo “Curriculum Vitae” significa Carreira de Vida. Segundo a tradução, seria plausível, o fato do currículo ser tão almejado na maioria das universidades. Porém, causa repulsa a forma que o padrão rígido de “ensino” vigente tolhe a liberdade criativa, impondo a lei do “acúmulo pelo acúmulo”. Muitos de nós devem ter feito seu “Curriculum vitae”, mas somente alguns o analisaram com um olhar mais reflexivo... Qual a real função disto tudo? Segue abaixo trecho de carta do professor Dr Ivan Guerrini, do departamento de física da Unesp-Botucatu, destinada aos professores donos do mundo
"Neste sol de primavera, dirijo-me aos professores universitários presos nas cíclicas síndromes de seus ancestrais e, ao mesmo tempo, sinto-me feliz porque as exceções aumentam e formam, cada vez mais, a Massa Crítica. (...) Deixando aflorar a indignação, permito-me, então, os questionamentos que se seguem.(...) Que rei é esse que vocês trazem na sua barriga, inchada pela competição do acúmulo pelo acúmulo? Por que vocês acham que só o que vocês ensinam e como ensinam é que tem valor? Vocês já leram algo escrito por Edgar Morin, o grande educador de hoje, para ter uma idéia do que significa ensinar no século XXI? Ou ainda algo de Leonardo Boff sobre sua postura na educação libertadora depois da dura crise experimentada com a Igreja? Aliás, vocês sabem o que é educação libertadora? Por que, por exemplo, querem aumentar o número de publicações sem se importar com a qualidade e a aplicabilidade dos resultados? Que poção de magia negra e infeliz é usada para vocês transformarem alguns parcos resultados empíricos, insossos e sem expressão em uma multidão de trabalhos repetitivos publicados e/ou apresentados em congressos? Por que vocês não se propõem a estudar e pesquisar algo realmente inovador e útil, independentemente de auxílios externos? Por que querem restringir a liberdade dos alunos, castrando sua criatividade (...)Quem deu a vocês o diploma de dono do mundo?(...)Por que vocês não lêem sobre a Física Quântica atual e procuram descobrir que as revelações científicas nunca mais podem ser promulgadas como objetivas e corretas “per se” como vocês querem impor aos alunos? (...) Talvez um dia, possam se realizar verdadeiramente como professores e só então esta carapuça não mais lhes servirá. O apoio dos pares hoje nos mais variados colegiados é algo tão fútil, mesquinho,aumentando a indignação dos alunos conscientes que já sabem o que querem. Graças a Deus vocês não são e nunca mais serão 100%. (...) Eis que o tempo chega e urge as mudanças radicais de postura para quem tem ouvidos para ouvir! Ouçam o chamado, mortos-vivos, donos do mundo!!!"
Escrito por maria virgínia nem tanto às 14h24
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pró-verbo
revista trip de dezembro de 2004, coluna do carlos nader... esse cara teve uma sacada muito boa... na verdade todos nós, um dia, já fizemos trocadilhos com os provérbios, mesmo que mentalmente... e em homenagem ao nascimento do chinês número 1.300.000.000, aí vai:
1 - “Nascemos sabendo.”
2 - “A esperança é a primeira que morre.”
3 - “Cada macaco não tem galho.”
4 - “Errar é humano. Persistir no erro é mais humano ainda.”
5 - “Justiça tarda, falha e é cega.”
6 - “O pior cego é o que vê o que quer.”
7 - “Gosto é o que se discute.”
8 - “Quando um quer dois brigam.”
9 - “Quem cria fama não consegue mais deitar na cama.”
10 - “Não há nada mais verdadeiro que um provérbio, não?”

*Carlos Nader, 40, é videoartista e fã de provérbios. Seu e-mail é: carlos_nader@hotmail.com
Escrito por karam às 13h54
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